Relatório do Climate Impact Lab, ligado à Universidade de Chicago, estima que o chamado Super El Niño pode estar associado a cerca de 451 mil mortes adicionais no mundo até fevereiro de 2027 em razão dos impactos do calor extremo. No Brasil, a projeção é de aproximadamente 13,3 mil mortes relacionadas ao aumento das temperaturas. Os dados foram divulgados pelos pesquisadores neste mês de setembro. Além dos efeitos relacionados à desidratação e à elevação da temperatura corporal, períodos de calor intenso exigem atenção especial com a saúde cardiovascular.
De acordo com a cardiologista Thaís Paim, do Padre Albino Saúde/PAS, pessoas idosas e pacientes que já apresentam doenças cardiovasculares precisam de atenção redobrada neste período. “As temperaturas muito elevadas fazem com que o organismo precise trabalhar mais para manter a temperatura corporal. Isso pode aumentar a sobrecarga sobre o coração, principalmente em pessoas idosas e naquelas que já têm hipertensão, insuficiência cardíaca ou outras doenças cardiovasculares. A desidratação também merece atenção porque pode alterar a pressão arterial e favorecer complicações. Por isso, em períodos de calor intenso é importante manter boa hidratação, evitar exposição prolongada ao sol e observar qualquer sintoma diferente como dor ou pressão no peito, falta de ar, suor frio, náusea, tontura ou dor que pode se espalhar para o braço, costas, pescoço ou mandíbula. Nesses casos é necessário procurar atendimento médico de emergência”, destaca.
A American Heart Association destaca ainda que a exposição ao calor pode aumentar o risco de eventos como infarto, acidente vascular cerebral, descompensação da insuficiência cardíaca e alterações do ritmo cardíaco. Para evitar essas e outras complicações decorrentes da exposição às altas temperaturas, Thaís orienta sobre outros cuidados que devem ser adotados. “É importante reduzir atividades físicas intensas nos períodos de maior temperatura, especialmente entre o fim da manhã e o meio da tarde. Também é recomendado optar por roupas leves e folgadas, manter os ambientes ventilados e procurar locais mais frescos sempre que possível. Para quem faz uso de medicamentos de forma contínua é fundamental seguir corretamente as orientações médicas e não alterar as doses por conta própria. Esses cuidados ajudam a reduzir os impactos do calor sobre o organismo, especialmente entre idosos e pessoas que já apresentam alguma condição cardiovascular”, ressalta.




