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Cresce o número de crianças obesas; nutricionista do HPA fala sobre prevenção

O mundo pode chegar a 507 milhões de crianças e adolescentes em idade escolar com sobrepeso ou obesidade até 2040, segundo o Atlas Mundial da Obesidade divulgado no último dia 4 de março. No Brasil, o cenário já acende um alerta: dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) apontam que 33% das crianças e adolescentes apresentam excesso de peso e 13% já vivem com obesidade.

A obesidade é considerada doença multifatorial, mas a alimentação ocupa papel central nesse contexto. Nas últimas décadas, o padrão alimentar passou por mudanças significativas, com maior oferta e facilidade de acesso a produtos calóricos e ultraprocessados, como ressalta a nutricionista materno-infantil do Hospital Padre Albino, Fernanda Guerzoni Garcia Martignon. “Nós comemos mais calorias e esse excesso vai se acumulando na forma de gordura. Os alimentos ultraprocessados, grande vilão, costumam apresentar altas quantidades de açúcar, gorduras saturadas, gorduras trans e sódio, além de aditivos químicos como corantes, aromatizantes e conservantes. O consumo frequente desses produtos está associado não apenas ao ganho de peso, mas também ao aumento do risco de hipertensão, diabetes tipo 2, alterações no colesterol e doenças cardiovasculares. Em crianças esses impactos podem surgir cada vez mais cedo, comprometendo o desenvolvimento saudável”, explica.

Outro ponto de atenção é que muitos ultraprocessados têm baixa quantidade de fibras, vitaminas e minerais, nutrientes essenciais para o crescimento. “Quando a base da alimentação é composta por produtos industrializados, a criança até pode ingerir muitas calorias, mas ainda assim ficar com carência de nutrientes importantes”, alerta a nutricionista. Além disso, o consumo frequente de bebidas açucaradas, biscoitos recheados, salgadinhos e refeições prontas pode alterar o paladar da criança, reduzindo a aceitação de alimentos in natura, como frutas, verduras e legumes. Com o tempo, isso torna ainda mais difícil a construção de uma rotina alimentar equilibrada.

Crianças com obesidade podem apresentar dificuldades de locomoção, dores articulares e problemas ortopédicos, já que o excesso de peso sobrecarrega ossos e articulações que ainda estão em fase de crescimento. Além disso têm sido observadas alterações metabólicas importantes, como hipertensão arterial, triglicérides elevados, colesterol HDL baixo e até diabetes tipo 2 — doenças que, até pouco tempo atrás, eram mais comuns após os 40 anos.

Fernanda reforça que a prevenção da obesidade começa dentro de casa. “Pequenas mudanças na rotina, como preparar a própria comida, incluir mais frutas, verduras e legumes nas refeições e evitar produtos com listas longas de ingredientes, já fazem uma grande diferença na saúde das crianças”, conclui.

Mariana Lachi
Mariana Lachi
Mariana Lachi - Jornalista com formação em Comunicação Social e Pedagoga. Experiência em um pouquinho de tudo: TV, rádio, revista, assessoria de imprensa e jornal impresso. Atua há mais de 20 anos com mídia.
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