Criada para conscientizar sobre a importância da saúde mental, a campanha Janeiro Branco chama a atenção para o cuidado emocional como parte fundamental da qualidade de vida e do bem-estar. No contexto do câncer, esse olhar se torna ainda mais essencial. O Hospital de Câncer de Catanduva (HCC), por exemplo, tem reforçado a atenção à saúde interior como componente indispensável do acompanhamento oncológico, integrando o cuidado psicológico à assistência médica oferecida aos pacientes.
Segundo a psicóloga do HCC, Giulia Orlando, o suporte emocional, para além do tratamento medicamentoso, é essencial no enfrentamento da doença. “Durante a terapia, o paciente pode vivenciar diversos efeitos colaterais físicos e emocionais e contar com apoio psicológico é fundamental para que ele não desista do tratamento. O acompanhamento ajuda justamente a lidar com essas questões iniciais, a enfrentar esse momento e a compreender como é possível reduzir ansiedades, medos e preocupações, tanto durante as internações quanto ao longo de um tratamento prolongado”, explica.
Josilaine Cristina Delbone Varini é paciente oncológica e realiza acompanhamento para o tratamento de câncer de ovário. O diagnóstico foi confirmado em 2025 e desde então ela segue em cuidado contínuo com a equipe multiprofissional do Hospital de Câncer de Catanduva. Para ela, o acompanhamento psicológico tem sido um diferencial importante ao longo do tratamento. “Quando recebi o diagnóstico foi muito difícil compreender tudo o que estava acontecendo. O apoio psicológico me ajudou a aceitar a minha condição, lidar com os medos e manter o equilíbrio emocional para seguir firme no tratamento. Isso faz toda a diferença para que o processo tenha sucesso”, relata.
No Brasil, o câncer já superou as condições cardiovasculares como principal causa de morte em 670 municípios brasileiros, o equivalente a 12% das cidades do país. Os dados, compilados até 2023, foram apresentados durante o Fórum Big Data em Oncologia, no Rio de Janeiro, pelo Observatório de Oncologia, que analisou 26 anos de registros do Ministério da Saúde. Para diminuir essas estatísticas, especialistas reforçam a importância de o paciente não abandonar o tratamento, seguir corretamente as orientações médicas e buscar informações em fontes confiáveis.
Ainda de acordo com a psicóloga do Hospital de Câncer de Catanduva, Giulia Orlando, o apoio da família é pilar fundamental desde a descoberta da doença e pode contribuir de forma decisiva para um desfecho favorável. “A presença da família é essencial para que o paciente não se sinta sozinho, participe da rotina hospitalar e se sinta amparado nas decisões relacionadas ao seu cuidado. Muitas pessoas veem o cuidado com a saúde mental como algo desnecessário ou até como sinal de fraqueza, quando, na verdade, ele é parte fundamental do tratamento. Para que o corpo esteja saudável, a saúde mental também precisa estar; essa dica vale para todos”, afirma.
Atualmente, o HCC, referência regional em tratamento oncológico humanizado, atende cerca de 15 mil atendimentos ambulatoriais anuais pacientes diariamente, oferecendo cuidado multidisciplinar realizado por médicos, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas e fisioterapeutas, entre outros profissionais de saúde.




