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sábado, outubro 17, 2026
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Primavera exige atenção redobrada às alergias em cães e gatos

Com a chegada da primavera, cães e gatos podem ficar mais expostos a fatores ambientais capazes de desencadear ou agravar manifestações alérgicas. O aumento das floradas e, consequentemente, da presença de pólen e outras partículas no ambiente, além da elevação das temperaturas e, em algumas regiões, da umidade, pode favorecer o aparecimento ou a piora de sintomas em animais predispostos.

De acordo com Myriam Teixeira, médica-veterinária e professora da Wyden, entre as manifestações que podem ganhar força nessa época estão problemas respiratórios, dermatológicos, oculares e otológicos. “Na primavera, alguns fatores ambientais podem aumentar a exposição de cães e gatos a agentes capazes de desencadear ou agravar manifestações alérgicas. Um dos principais é o aumento das floradas e, consequentemente, da presença de pólen e de outras partículas ambientais”, disse.

Em gatos, esses fatores podem contribuir para a piora de sinais associados à asma felina e à bronquite. Já em animais predispostos à dermatite atópica, a exposição a componentes ambientais pode intensificar manifestações na pele.

Outro fator que exige cuidado nessa época do ano é o aumento da atividade de ectoparasitas, especialmente das pulgas. Em animais sensibilizados, uma única picada pode desencadear uma reação alérgica intensa, conhecida como dermatite alérgica à picada de pulga. “Em animais sensibilizados, a picada de uma única pulga pode desencadear uma reação alérgica intensa, caracterizando a dermatite alérgica à picada de pulga, que geralmente provoca prurido intenso e lesões dermatológicas”, explica Myriam.

A especialista alerta ainda que a ausência de pulgas visíveis não significa que o animal esteja livre do problema. Por isso, o controle preventivo e regular de pulgas e outros ectoparasitas é considerado uma das principais medidas de cuidado, inclusive para animais que vivem predominantemente dentro de casa “Animais muito sensíveis podem apresentar uma reação intensa mesmo após poucas picadas, e muitas vezes as pulgas não são observadas durante o exame feito pelo responsável em casa”, ressalta.

Coceira não significa necessariamente alergia e tutor precisa estar atento!

Um dos desafios para os responsáveis é diferenciar uma alergia de outros problemas dermatológicos. Segundo a veterinária, coceira, vermelhidão, queda de pelos, crostas e feridas podem aparecer em diferentes doenças, o que torna inadequado tentar estabelecer um diagnóstico apenas pela observação das lesões. “Em casa, não é possível diferenciar com segurança uma alergia de outras doenças dermatológicas apenas pela aparência das lesões e uma avaliação profissional pode ser necessária para confirmar ou excluir um diagnóstico”, ressalta a veterinária.

Entre as possibilidades que precisam ser investigadas, segundo Myriam, estão dermatites causadas por ectoparasitas, infecções bacterianas ou fúngicas, alergias ambientais e alimentares e alterações comportamentais. A especialista destaca, ainda, que comportamentos como lambedura excessiva podem produzir lesões semelhantes às observadas em algumas dermatopatias alérgicas. No entanto, alterações comportamentais devem ser consideradas somente depois da investigação de outras causas, principalmente aquelas capazes de provocar coceira.

Exposição ao pólen: Olhos e ouvidos também podem apresentar sinais

A exposição a pólen, poeira e outros componentes ambientais pode estar associada ainda a manifestações oculares, como conjuntivite alérgica, que pode provocar vermelhidão, lacrimejamento e desconforto. “Nem toda conjuntivite nessa época do ano é alérgica, sendo necessário considerar também causas infecciosas, corpos estranhos e outros irritantes ambientais”, explica Myriam.

As alergias também podem afetar os ouvidos. A inflamação pode alterar o ambiente do conduto auditivo e favorecer a ocorrência de otite externa, inclusive com infecções secundárias provocadas por bactérias ou leveduras.

Coceira nas orelhas, balançar frequentemente a cabeça, esfregar os ouvidos, secreção e odor desagradável são alguns dos sinais que merecem atenção.

Quando procurar um veterinário?

A avaliação médico-veterinária é recomendada quando o animal apresenta sinais persistentes ou intensos, como espirros frequentes, tosse, alterações na respiração, coceira intensa, lambedura ou mordedura excessiva do corpo, queda de pelos, feridas, crostas, sangramento ou vermelhidão intensa.

Também devem ser observados episódios recorrentes de otite, mau odor na pele ou nos ouvidos, lesões nas patas ou entre os dedos, conjuntivites e alterações importantes na face ou ao redor dos olhos.

Quando os sinais dermatológicos aparecem acompanhados de vômitos ou diarreia, também é recomendável buscar avaliação profissional, já que pode haver outras condições associadas ou, em determinadas situações, uma possível relação com hipersensibilidade alimentar.

Alguns sintomas, entretanto, exigem atendimento imediato, conforme explica a veterinária Myriam Teixeira: “Inchaço súbito da face ou do focinho, dificuldade respiratória importante, fraqueza intensa, desmaio ou colapso podem estar associados a reações de hipersensibilidade graves e constituem situações de emergência”, conclui.

Mariana Lachi
Mariana Lachi
Mariana Lachi - Jornalista com formação em Comunicação Social e Pedagoga. Experiência em um pouquinho de tudo: TV, rádio, revista, assessoria de imprensa e jornal impresso. Atua há mais de 20 anos com mídia.
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