Uma em cada cinco crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos vive com sobrepeso ou obesidade no mundo. O dado faz parte do Atlas Mundial da Obesidade 2026, lançado pela Federação Mundial da Obesidade em 4 de março, Dia Mundial da Obesidade, e reforça a preocupação com um problema que pode trazer consequências ainda na infância.
Segundo a médica pediatra e infectologista Silvia Nunes, professora do IDOMED (Instituto de Educação Médica), a obesidade infantil é uma condição complexa e não deve ser associada a uma única causa. “O desenvolvimento da obesidade envolve fatores genéticos, metabólicos, familiares, sociais e comportamentais. Por isso, é fundamental evitar julgamentos e compreender a realidade de cada criança”, explica.
O consumo frequente de alimentos ultraprocessados, bebidas açucaradas, o excesso de tempo diante das telas, o sono inadequado e a redução das atividades físicas podem contribuir para o ganho excessivo de peso. A condição aumenta o risco de diabetes tipo 2, hipertensão, alterações no colesterol, problemas articulares e distúrbios do sono, além de possíveis impactos na autoestima e na saúde mental.
Para Theda Manetta da Cunha Suter, professora de Nutrição do Unitoledo Wyden, o ambiente alimentar também influencia diretamente as escolhas das famílias. “Em muitas regiões, alimentos frescos e nutritivos são mais caros ou menos acessíveis, enquanto produtos ultraprocessados estão amplamente disponíveis. A prevenção da obesidade infantil também depende de políticas que facilitem o acesso a uma alimentação adequada”, afirma.
Rebeca Beraldo, professora de Nutrição da Estácio, destaca que a mudança de hábitos deve envolver toda a família. “Não se trata de impor dietas restritivas à criança, mas de construir uma rotina mais equilibrada, com refeições variadas, atividades físicas, sono adequado e redução do tempo excessivo de telas. Pequenas mudanças, quando mantidas, podem trazer benefícios importantes”, orienta.
As especialistas reforçam que comentários sobre o corpo, cobranças e restrições sem acompanhamento podem aumentar o sofrimento emocional. A avaliação pediátrica e nutricional permite acompanhar o crescimento e orientar cada caso de forma individualizada, priorizando a saúde e a qualidade de vida.




