Pré-candidatos participaram de evento organizado pela deputada estadual Beth Sahão (PT)
Os pré-candidatos ao Governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) e Márcio França (PSB), além das pré-candidatas ao Senado Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (MDB), criticaram os impactos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros durante visita a Catanduva, no noroeste paulista. O evento, organizado pela deputada estadual Beth Sahão (PT), reuniu representantes de quase 50 municípios da região.
Durante o encontro, Simone Tebet comentou, em entrevista à imprensa, as tarifas sobre a cadeia sucroenergética, uma das principais atividades econômicas do noroeste paulista.
“Eu produzo cana, e eu sei que essa região é muito forte, eu tenho inclusive relação com alguns, não só donos de usina, mas produtores rurais, e estava com alguns prefeitos comentando isso. Nós acabamos de ser taxados em 25% o etanol e açúcar. Isso significa, nessa questão do emprego, a princípio significaria um desemprego em massa, porque a gente com esse valor não consegue competir com o etanol de milho dos Estados Unidos.”
Como uma das medidas para reduzir os impactos das tarifas sobre o setor sucroenergético, o governo federal aprovou o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, de 30% para 32%, ampliando a demanda pelo biocombustível produzido no país. A medida foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e terá vigência inicial de 180 dias.
Na avaliação de Tebet, a medida é suficiente para compensar uma eventual redução das exportações de etanol aos Estados Unidos.
“O que eu quero dizer para tranquilizar toda a região aqui, né? Eu digo toda a região, de Rio Preto para cá, enfim, a região do Noroeste todo e todo o interior do Brasil que planta cana. Só o aumento de 2% da mistura do etanol na gasolina já supera ou superaria uma possível impedimento total de exportação do etanol para os Estados Unidos. É assim que se governa o país, com responsabilidade. Enquanto eles tiram empregos, nós estamos preocupados efetivamente com o emprego do trabalhador e com o setor produtivo do Brasil.”
Fernando Haddad classificou as tarifas como inaceitáveis e afirmou que o Brasil dispõe de instrumentos legais para responder às medidas e proteger os produtores nacionais.
“Plano Brasil Soberano está em vigor, uma lei que foi formulada já o ano passado, que vai ser acionada mais uma vez. Nós já temos o roteiro do que fazer para apoiar o produtor local, vamos fazer isso. E, obviamente, o presidente deve começar a estudar a lei de reciprocidade, que foi aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional. Isso é uma coisa que tem que ter cautela para fazer, mas, enfim, nós temos já um arcabouço legal que nos permite reagir a essa agressão indevida e proteger, sobretudo, o produtor aqui de São Paulo”, afirmou.
O pré-candidato também criticou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), adversário na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.
“É estranho que o governador do estado não tenha compreensão do que ele próprio ajudou a causar, que foi essa aproximação com um governo hostil a nós. Você se aproxima dos amigos, dos aliados. Quando você leva água para o moinho de quem é hostil a você, você permite, você abre brecha para esse tipo de postura completamente irresponsável”.
Marina Silva também atribuiu responsabilidade política ao governador diante dos impactos econômicos das tarifas.
“A outra coisa é que o governo Tarcísio, e ele próprio, em lugar de se pronunciar sobre esse tarifaço injusto, que vai tirar cerca de 20, 11 bilhões da nossa economia, 4 bilhões do estado de São Paulo, de dólares, e que vai atingir o coração do agronegócio. Cerca de 35 a 36% dos produtos vão ser taxados. É isso que ele tem que falar. Mas ele não fala. Ele vai falar que eu e a Simone viemos de outros estados, que ele também veio de outro estado. Tem que se explicar por que botou o chapéu do adversário e por que é amigo de quem é inimigo do povo brasileiro, da indústria brasileira, do agronegócio brasileiro e principalmente dos empregos e do desenvolvimento do Brasil”, disse.
Na mesma linha, Simone Tebet voltou a defender a ampliação da mistura de etanol como resposta prática aos impactos das tarifas.
“Só que veja a diferença entre aquele que veste o boné de outro país e que defende o tarifaço do governo pelo qual eu servi por quatro anos com muito orgulho. Nós aprovamos no CNPE o aumento de 2% da mistura do etanol na gasolina. Com toda a segurança. Sabe o que isso significa em valores comparativos? A gente exporta algo em torno de 250 milhões de litros de álcool para os Estados Unidos. Essa mistura sozinha, só esse aumento de 2% supera em muito essa exportação”.
Pesquisa científica e educação

Helena Dutra Lutgens, presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), em discurso durante o evento
Antes do ato público, Haddad, Márcio França, Marina Silva e Simone Tebet participaram de uma reunião com prefeitos e lideranças da região. Os pré-candidatos também receberam a presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), Helena Dutra Lutgens.
Em discurso durante o evento, Helena destacou a contribuição dos Institutos Públicos de Pesquisa do Estado de São Paulo para o desenvolvimento econômico do noroeste paulista, uma das principais regiões produtoras de cana-de-açúcar, etanol e açúcar do país.
“Essa região, que é uma região que se desenvolveu muito por meio do setor sucroenergético, muito se deve aos institutos públicos de pesquisa de São Paulo, que aqui nessa região temos diversas fazendas experimentais que prestam um serviço de alta relevância no desenvolvimento científico do Estado”, afirmou.
A presidente da APqC também criticou a política estadual para a carreira de pesquisador científico e a redução da estrutura destinada à pesquisa.
“O atual governador fez um compromisso público conosco de que equipararia nosso salário com os pesquisadores da Embrapa, que ganham três vezes mais do que os pesquisadores de São Paulo. E, no entanto, o que ele fez foi encaminhar um projeto de lei que desmontou completamente a carreira de pesquisador científico, que já tem 50 anos. O que ele fez foi desmontar a carreira, além de vender áreas de pesquisa, numa situação em que vivemos, essa região que tem uma perspectiva ambiental dramática, porque não tem, praticamente, áreas protegidas. Então, o cenário pode ser dramático se não investirmos em pesquisa, se não fortalecermos esses institutos”, finalizou.
Também durante o encontro, Haddad ouviu representantes da educação e defendeu investimentos em todas as etapas do ensino, da creche à pós-graduação, com atenção especial ao ensino técnico e profissionalizante.
“Nós temos uma baixa quantidade de jovens que estão estudando e, ao mesmo tempo, obtendo uma certificação profissional. E nós temos aqui em São Paulo não só todo o sistema S, as escolas do Senai, do Sesi, né, mas nós temos Fundação Paula Souza, nós temos o Instituto Federal, que eu criei como ministro da Educação, que vai para 60 unidades até o final desse ano. Nós estamos inaugurando até o final do ano mais 15 unidades do Instituto Federal no estado de São Paulo. Agora, nós vamos combinar isso com a escola pública. O jovem da escola pública paulista, sobretudo no ensino médio, está desassistido. O magistério paulista, os professores, professoras, estão desestimulados e desmotivados pela maneira como estão sendo tratados pela Secretaria de Educação”, declarou.
Colaborou Marcelo Nadalon




