O mês de maio é dedicado à Maria Santíssima. E no próximo sábado, 30 de maio, a comunidade católica de Catanduva poderá participar de um momento singular: a chegada de uma imagem-relíquia de Nossa Senhora de Guadalupe, Padroeira das Américas, à Igreja Matriz de São Domingos de Gusmão, durante a Santa Missa das 19 horas.
Será a única aparição pública da imagem na cidade, traduzida como uma visita silenciosa e materna, no encerramento do mês mariano, segundo o pároco da Igreja Matriz, Fábio Pagotto.
Ele explica que a imagem que chegará a Catanduva é uma réplica da original: reproduzida no mesmo tipo de tecido e fiel à estampa. É também uma relíquia por contato, pois tocou a imagem original venerada na Basílica de Guadalupe, no México, fato atestado por documento oficial que acompanha a peça.
“Ela foi um presente do Cardeal Carlos Aguiar Retes, Arcebispo Primaz da Arquidiocese da Cidade do México, ao seminarista Rafael Garcia, da Arquidiocese de São José do Rio Preto, que generosamente a confia agora à nossa comunidade para esta visita”, comenta o pároco.
Mais que um evento, trata-se de uma visita da Mãe a seus filhos. Encerrando o mês
mariano, de acordo com Pagotto, Nossa Senhora vem como portadora das bênçãos e graças de Deus para cada coração, para cada família, para as necessidades espirituais e materiais que carregamos.
“Cada fiel é convidado a trazer uma rosa, lembrança das flores do Tepeyac, que será abençoada durante a celebração”, cita.
A missa contará ainda com uma alegria a mais: o aniversário natalício do Pe. Fábio
Pagotto, pároco da Matriz, que celebrará a Eucaristia com a comunidade.
“A Mãe das Américas passará por Catanduva uma única vez. E ninguém volta vazio das mãos de Maria”, encerra o padre.
História
A história de Guadalupe remonta a dezembro de 1531. Sobre o monte Tepeyac, no
México, a Virgem Maria apareceu ao indígena São Juan Diego e pediu que se erigisse ali um templo. Diante da hesitação do bispo Dom Juan de Zumárraga, que pediu um sinal, Nossa Senhora fez florescer rosas de Castela em pleno inverno árido. Quando Juan Diego, recolhendo as flores em seu manto rústico — a tilma —, abriu-o diante do bispo, todos viram impressa no tecido a imagem da Virgem morena, vestida como uma jovem mestiça, grávida, com a lua sob
os pés e o sol como manto. Nos sete anos seguintes, cerca de nove milhões de indígenas se converteram à fé católica. Juan Diego foi canonizado por São João Paulo II em 2002.
O fato mais intrigante é que o manto continua intacto até hoje, quase cinco séculos
depois. A tilma é feita de ayate, fibra de agave que, por sua natureza, deveria deteriorar-se em poucas décadas. Estudos científicos têm aprofundado o mistério.
Em 1936, o químico alemão Dr. Richard Kuhn, laureado com o Prêmio Nobel de Química, em 1938, analisou amostras das fibras e concluiu que as cores da imagem não correspondem a corantes vegetais, animais, minerais ou sintéticos conhecidos.
Em 1979, o biofísico Philip Callahan, da Universidade da Flórida, fez mais de 40 fotografias com tecnologia infravermelha e
verificou que a imagem não apresenta sinais de pinceladas nem preparação prévia do tecido.
Outros pesquisadores documentaram detalhes minúsculos refletidos nas pupilas da Virgem – fenômeno que, ainda hoje, desafia a ciência.
Em 1945, o Papa Pio XII declarou Nossa Senhora de Guadalupe como a Padroeira das Américas, título reafirmado pelos pontífices seguintes. Ela é, por excelência, a Mãe que aparece falando a língua e vestindo as roupas de seu povo — sinal eloquente de que Deus visita os pequeninos.




