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Mayk Ricardo, Carol Cof e Anna Magalhães estreiam ‘Aqui, Ainda’ no Sesc Rio Preto

Espetáculo protagonizado pelo artista da dança Mayk Ricardo e a dançarina Carol Cof que discute o amor, o afeto e as relações que perpassam os corpos de pessoas negras, o dueto ‘Aqui, Ainda’ estreia quinta-feira, dia 7 de maio, às 20h, no Sesc Rio Preto. A apresentação é gratuita e acontece na área de convivência, sem necessidade de retirada de ingresso.

A obra apresenta dois corpos negros em um encontro para refletir sobre o amor como ética de vida, força que sustenta e fortalece existências negras, abrindo caminhos para as próximas gerações. De mãos dadas, resistem ao caos, à incomunicabilidade e à velocidade do tempo, reafirmando a importância da presença afetiva e da escuta. Na cena, os corpos buscam reconexão consigo e com o outro, em um movimento atravessado pelo afeto em meio às violências cotidianas. Cada gesto é permanência, cada toque é cuidado, cada encontro é sobrevivência. Direção artística e coreográfica de Mayk Ricardo, responsável pela criação em parceria com Carol Cof, com colaboração dramatúrgica de Anna Claudia Magalhães.

Na mesma data, a partir das 14h, o público poderá conhecer os bastidores do processo de montagem durante uma vivência com Andrea Capelli, atriz, bailarina, coreógrafa e produtora. A atividade é gratuita, sem retirada de ingressos.

Sobre a montagem

‘Aqui, Ainda’ é a segunda parte da Trilogia Afetos Negros, de Mayk Ricardo, inaugurada pelo espetáculo solo ‘TENHA CUIDADO! É o meu coração’ (2024). Por meio da série, o artista investiga o amor como forma de resistência e estratégia diante das violências que atravessam cotidianamente as pessoas pretas.

Coreograficamente, o trabalho se constrói a partir do pulso e do ritmo: contrações, espasmos, tremores e pausas revelam o colapso e a persistência desses corpos. Segundo Mayk, a fisicalidade alterna entre densidade e leveza, ruído e silêncio, buscando outras lógicas de movimento no encontro. “Como no kintsugi, técnica japonesa de reparar cerâmicas com ouro, o trabalho assume suas fissuras como parte da beleza e da história”, diz o criador.

“Em cena, o amor se torna movimento, o afeto vira linguagem e a permanência, um ato de resistência — uma espécie de kintsugi afetivo, em que as cicatrizes brilham como marcas da vida que insiste”, comenta Mayk.

O espaço cênico reflete a travessia, por meio de elementos como papel laminado a criar uma ambiência mutante, ora festiva, ora caótica, evocando os contrastes da existência. A luz em tons de azul e vermelho pulsa como o coração, enquanto a trilha sonora — parte composta ao vivo pelos próprios bailarinos com loops, ruídos e cacofonias — transforma o som do caos em música. Já o figurino acompanha a dramaturgia e contrasta com o peso das histórias inscritas nos corpos, reafirmando o gesto como lugar de permanência, amor e cuidado.

Inscrições para laboratório

Também no Sesc Rio Preto, ao longo de maio Mayk Ricardo (em coletivo) conduz o laboratório investigativo em dança contemporânea “Habitar o Encontro: lugares possíveis para descansar”, com inscrições abertas na quarta-feira, dia 6, 14h.

As atividades acontecem a partir do dia 13, sempre às quartas, das 19h30 às 21h30, com Mayk Ricardo, e aos sábados e domingos, das 10h às 13h, com as artistas convidadas Pâmela Ramos (artista visual, performer e educadora cultural) e Inaê Moreira (artista multilinguagem, licenciada em dança pela Universidade Federal da Bahia), respectivamente.

Mariana Lachi
Mariana Lachi
Mariana Lachi - Jornalista com formação em Comunicação Social e Pedagoga. Experiência em um pouquinho de tudo: TV, rádio, revista, assessoria de imprensa e jornal impresso. Atua há mais de 20 anos com mídia.
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