Entre os 33 espetáculos da programação gratuita do Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto (FIT Rio Preto), que acontece de 16 a 25 de julho, um eixo se destaca: o teatro feito em coletivo. Companhias de oito estados brasileiros dividem o palco em produções que apostam na força do grupo – algumas reunindo quase 20 artistas em cena.
Com 19 integrantes, TA | Sobre Ser Grande é o espetáculo de maior elenco da edição. O Corpo de Dança do Amazonas parte da cultura do povo tikuna, para quem a palavra “TA” está relacionada à ideia de grandeza e ao território que abriga, alimenta e conecta seus habitantes. Com coreografia de Mário Nascimento e trilha sonora original do DJ Marcos Tubarão, a peça investiga as relações entre corpo, linguagem, natureza e pertencimento por meio da dança contemporânea. O espetáculo será apresentado nos dias 24 e 25 no Teatro Municipal Paulo Moura.
Empatados com 14 artistas em cena, dois espetáculos abrem espaço para diferentes leituras do coletivo. {FÉ}STA, do Coletivo Prot{Agô}nistas (SP), espetáculo de abertura do Festival a ser apresentado no Anfiteatro Nelson Castro no dia 16, mistura circo, dança, música ao vivo e performance a partir de números acrobáticos e ações coletivas, abordando memória, ancestralidade e a experiência da população negra em diáspora.
Já Cena Ouro — Epide(r)mia, da Cia. Mungunzá de Teatro (SP), nasce de uma pesquisa da companhia junto a moradores, frequentadores e trabalhadores da Cracolândia, no centro de São Paulo, para investigar exclusão social, convivência urbana e políticas de controle dos corpos e espaços públicos. A companhia se apresenta nos dias 17 e 18, no Teatro Municipal Paulo Moura.
Um dos representantes riopretenses na programação, Boi Material, com 10 pessoas no elenco, é uma criação da Cênica e ambienta sua trama em uma feira de exposição, onde um grupo de artistas contratado para entreter o evento percebe fazer parte de uma engrenagem de poder que incide diretamente sobre as existências vivas do planeta. Em meio a um leilão de gado – que dialoga ironicamente com a iconografia do boi na história da pintura brasileira -, o grupo alterna entre assumir o papel dos donos da Terra e especular sobre um levante. O público poderá assistir nos dias 17 e 18 no Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto.
Fechando a lista dos elencos mais numerosos, (Um) Ensaio sobre a Cegueira, do Grupo Galpão (MG), reúne 9 atores em cena para transpor o romance de José Saramago sobre uma epidemia de cegueira que transforma as relações entre os habitantes de uma cidade. Vencedor do Prêmio APCA de melhor espetáculo, o trabalho aposta na força da atuação conjunta e na narração compartilhada, prescindindo de cenografia elaborada. O grupo se apresenta nos dias 20 e 21 também no Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto.




