14.5 C
Catanduva
segunda-feira, maio 11, 2026
spot_img
InícioCulturaMostra Cênica Resistências ocupa 9 espaços de Rio Preto e 4 cidades...

Mostra Cênica Resistências ocupa 9 espaços de Rio Preto e 4 cidades da região com programação gratuita

De 12 a 16 de maio, acontece em São José do Rio Preto e mais quatro cidades da região a Mostra Cênica Resistências, que chega em 2026 à sua 7ª edição e com programação totalmente gratuita. São 14 espetáculos; um do Reino Unido e dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Pará, representando três regiões do Brasil (Sudeste, Nordeste e Norte); além de ações formativas e reflexivas e um ponto de encontro com atrações diversas. Os espetáculos contemplam teatro adulto e para crianças, dança, circo e uma obra em realidade virtual, em trabalhos que abordam questões ligadas a temas urgentes do mundo contemporâneo, como emergência climática, memória, ancestralidade, territorialidades, apagamentos culturais, vigilância, uso excessivo dos meios digitais e transgeneridade. Em São José do Rio Preto, nove espaços recebem as atividades.

O espetáculo internacional No Apologies, da atriz e escritora inglesa Emma Frankland, faz a abertura desta edição, no dia 12, terça, às 20h, no teatro do Sesc Rio Preto, com retirada de ingresso 1h antes. Destaque em 2025 no Edinburgh Fringe Festival, na Escócia, a obra tem direção de Harry Clayton-Wright, música original e trilha sonora do compositor Keir Cooper, e produção da Marlborough, conhecida por suas produções em performances queer e interseccionais.

Criada e produzida pelo coletivo teatral rio-pretense Cênica desde 2014, a Mostra Cênica Resistências é realizada nesta edição por meio do Edital Fomento CultSP PNAB nº 39/2024 – Fomento à Economia Criativa, com apoio do British Council, Sesc Rio Preto, Sesi, Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de São José do Rio Preto (SSPM), Centro Cultural Vasco e Prefeitura Municipal de São José do Rio Preto por meio da Secretaria de Cultura.

O projeto nasceu a partir do desejo coletivo de fomentar a circulação de espetáculos de artes cênicas e criações em múltiplas linguagens, contribuir para a visibilidade de artistas, grupos e coletivos em sua diversidade e pluralidade, ampliar a formação e fruição de público na cidade e região, bem como criar um espaço de encontros, trocas e reflexões acerca de arte e cultura. “Nesta 7ª edição, seguiremos resistindo, tecendo e fortalecendo redes e conexões, levando arte e cultura a diferentes territórios”, refletem integrantes da Cênica.

Espetáculos

O espetáculo de abertura, No Apologies, apresenta uma releitura do icônico show MTV Unplugged (1993) da banda estadunidense Nirvana, a fim de investigar de forma poética e provocativa a teoria de que Kurt Cobain, que tirou a própria vida aos 27 anos, seria transgênero, baseada, por exemplo, em suas aparições vestindo peças de roupa femininas. Em cena, Emma Frankland mistura a estética grunge com mitologia e relatos autobiográficos para explorar a possibilidade de imaginar como seria o mundo para as vidas trans se o cantor conhecido ao redor do globo tivesse assumido sua suposta identidade de gênero.

Inspirado na obra do líder indígena e membro da Academia Brasileira de Letras Ailton Krenak, imortalizado pelo seu protesto na Constituinte de 1987, e na trajetória do ator Yumo Apurinã, Ideias para Adiar o Fim do Mundo revisita o tratamento dado pelo Brasil ao povo indígena ao longo de sua história, considerado primitivo até a Constituição de 1988. Yumo, que protagoniza a montagem e escreveu o texto em processo colaborativo com João Bernardo Caldeira (também direção e cenário) vive no Rio de Janeiro e nasceu na Aldeia Mawanaty, terra indígena situada em Rondônia, na Amazônia Legal, onde foi criado sob a evangelização e o apagamento da sua cultura.

Parceria entre os artistas Liana Yuri (nascida em Santo André e descendente da população da Ilha de Okinawa, no Japão) e Milton Aires (natural de Ponta de Pedras, Ilha do Marajó, no Pará), SHIMA-AÇU propõe uma reflexão sobre a importância de preservar e compartilhar histórias, utilizando uma linguagem poética e a imaginação para preencher as lacunas da memória. Lança mão da fabulação para tratar de amizade e encontro de culturas, num desejo de compartilhar histórias comuns a todas e todos.

Criação dos grupos potiguares Clowns de Shakespeare, Faceta e Asavessa, UBU: O que é Bom Tem que Continuar!, espetáculo de encerramento da mostra, no dia 16, sábado, às 20h, no Anfiteatro da Represa Municipal, tem como ponto de partida as personagens Pai e Mãe Ubu, da clássica obra Ubu Rei, de Alfred Jarry. No texto de 1888, o poeta, romancista e dramaturgo francês trata das rocambolescas armações do casal Ubu em uma busca insaciável pelo poder. Situando-se como uma possível continuação do trabalho do autor, a montagem desloca esses personagens para um país/lugar-nenhum com ares latino-americanos, onde Pai e Mãe Ubu continuam a saga alucinada e incansável pelo poder.

Presença do interior paulista

Esta edição da MCR traz um recorte potente das produções de coletivos sediados no interior do estado de São Paulo, representados por trabalhos de diferentes linguagens, temáticas e estéticas.

A Cia de Dança de São José dos Campos apresenta Voyeur | Samba & Amor, com concepção, direção artística e coreografia de Lili de Grammont. Entre tensão, humor e delicadeza, a montagem articula duas obras que investigam o corpo contemporâneo a partir de dinâmicas de exposição e convivência, propondo um percurso entre o olhar externo e o desgaste interno das relações.

Também na dança, a companhia OBS, de Araçatuba, traz Corpo História. Tendo como plano de fundo a expansão territorial paulista a partir das estradas de ferro, a partir da pesquisa e da construção coreográfica coletiva corpos são instigados a narrar na cena suas dores e histórias.

De São José do Rio Preto, a videoinstalação em realidade virtual A Cabeça do Menino Invisível, de Jef Telles, explora a linguagem do realismo mágico em um ambiente imersivo, questionando o uso excessivo dos meios digitais versus a relação com a criatividade.

Já Dentro d´Água, da Cia Talagadá, de Itapira, recria de forma poética o universo das águas, onde rio e mar se encontram. Teatro de bonecos, formas, cores, sons, movimentos e momentos de interatividade com o público promovem uma experiência sensorial entre crianças e adultos.

De Botucatu, a Cia Beira Serra apresenta Arraial, com direção de Esio Magalhães (Barracão Teatro), com uma sequência de números que remetem à estética, ritmo e clima dos tradicionais espetáculos circenses, aliados às pesquisas contemporâneas da trupe em comicidade, acrobacias de solo, acrobacia aérea e malabarismo com objetos diversos.

Ocupação Regional

Quatro cidades da região de São José do Rio Preto também são contempladas com espetáculos de grupos do interior paulista. Ibirá é palco de O Mundo em Extinção, da Cia. Bambolina (Paraguaçu Paulista). Num cenário futurista em ruínas, dois viajantes do passado não reconhecem mais a terra. Reimaginação do clássico João e o pé de feijãoJoana e o pé de batata-doce, do Coletivo Sina (São José do Rio Preto), chega à Nova Granada. Na releitura, a protagonista Joana é uma jovem curiosa e conectada com suas “raízes” familiares.

Bady Bassitt recebe O Menino Coruja, daCia Arte das Águas (Ibirá), musical sertanejo cuja narrativa acompanha a vida rural de um menino do interior paulista, seus sonhos e dramas. E Mirassolândia, Meu Quarto, Minha Inocência, doNúcleo de Produção e Difusão (Jales), em que narradores-brincantes conduzem o público por histórias inspiradas em infâncias marcadas por experiências de medo, de maneira sensível e lúdica.

Ações formativas

No eixo de ações formativas e reflexivas, o público poderá acompanhar bate-papos, oficina, exibição de documentário e intervenção.

Integrantes do Clowns de Shakespeare abordam a trajetória do grupo em um bate-papo após exibição de Um Filme sem Fim, dirigido por Carito Cavalcante, um registro íntimo, sensorial e poético da história do coletivo potiguar.

Na oficina Prepara para Ball – Introdução ao Runway, coordenada porWarley Noua (Imperatriz Noua Mamba Negra), de São Paulo, participantes desenvolvem consciência corporal, atitude e confiança para transformar o caminhar em performance, a partir de práticas inspiradas na cultura ballroom.

O bate-papo Sobre Ideias para Adiar o Fim do Mundo reúneYumo Apurinã e João Bernardo Caldeira, criadores do espetáculo Ideias para Adiar o Fim do Mundo, compartilhando experiências, inspirações e o processo de montagem. Já em Redes e Afetos: Encontros Bordados pelo Tempo,artistas e fazedores da cultura refletem sobre a força das redes construídas por meio da arte.

Na intervenção Resistir é Tecer Caminhos Coletivo, o coletivoArteir@s pela Democracia faz um convite ao questionamento e à desconstrução de desigualdades e paradigmas socialmente construídos, em busca de mover barreiras geracionais, de gênero e de poder.

Acessibilidade

Reafirmando o olhar do coletivo para a diversidade, além da programação ocupar espaços que privilegiam a acessibilidade em sua estrutura arquitetônica, oito sessões acontecem com interpretação em Libras ou audiodescrição nesta edição da MCR.

Entre os trabalhos com audiodescrição estão Double bill: Voyeur| Samba & AmorDentro d’Água, Arraial e Migalhas e Misérias em Mi Menor, esseprogramado para a Praça dos Escritores, ao lado do Centro de Reabilitação Visual – Instituto dos Cegos de Rio Preto.

A interpretação em Libras se dará nos espetáculos Ideias para Adiar o Fim do MundoSHIMA-AÇU eUBU: O que é Bom Tem que Continuar!,e no showAxé Dona Encrenca.

Ponto de encontro

Lugar de convívio e celebração, o ponto de encontro da Mostra Cênica Resistências, batizado de Contramão Bar Cultural, ocupa o Clube do Lago durante quatro noites, de quarta a sábado (13 a 16). O nome homenageia o antigo bar Contramão, reduto de arte e resistência comandado por José Maria Guirado e Clara Roncati que fez história no início da década de 1990 em São José do Rio Preto.

A programação envolve música, dança, cultura ballroom e artesanato. Entre as atrações, estão Baile do Kayque, DJ Kayque, coletivo Arteir@s pela Democracia, Ball da GAL: Cunt Confessions (do GAL – Grupo de Apoio à Loucura), DJ Zéh, Adriane Calixto, Charmeando, Axé Dona Encrenca DJ Harlen.

Já a Feira de Economia Criativa oferece em três noites exposição de artesanatos, produtos naturais, comidas gourmet e biojoias, reunindo uma diversidade de espaços e empreendedores independentes da cidade.  

A programação do bar cultural é voltada ao público a partir dos 18 anos, com retirada de ingresso a partir de 1h antes da abertura.

Ingressos

Toda a programação da Mostra Cênica Resistências é gratuita. Para espetáculos em teatros e espaços alternativos, retirada de ingresso 1h antes. Para a videoinstalação em realidade virtual, sessões individuais por ordem de chegada, sem retirada de ingresso. Nas ações formativas, o acesso é livre, sem necessidade de inscrição, mediante a lotação dos espaços.

7ª MOSTRA CÊNICA RESISTÊNCIAS

12 a 16 de maio de 2026 – São José do Rio Preto e região

Informações: https://cenica.com.br e www.instagram.com/_cenica

Gratuito

Mariana Lachi
Mariana Lachi
Mariana Lachi - Jornalista com formação em Comunicação Social e Pedagoga. Experiência em um pouquinho de tudo: TV, rádio, revista, assessoria de imprensa e jornal impresso. Atua há mais de 20 anos com mídia.
ARTIGOS RELACIONADOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

- Advertisment -spot_img

POSTS POPULARES