26.1 C
Catanduva
quinta-feira, janeiro 29, 2026
spot_img
InícioBrasilMulheres por trás das câmeras: participação feminina cresce no audiovisual, mas desafios...

Mulheres por trás das câmeras: participação feminina cresce no audiovisual, mas desafios persistem em direção e criação

A presença feminina no audiovisual brasileiro está avançando de forma consistente, impulsionada pela profissionalização do setor e por iniciativas de inclusão. De acordo com o Anuário Estatístico do Audiovisual Brasileiro 2024, divulgado pela Agência Nacional do Cinema (Ancine), as mulheres representam 42% da força de trabalho da indústria, percentual que supera a média da economia nacional (40,9%). Elas também já são maioria em áreas estratégicas da cadeia produtiva, liderando 58% dos postos na exibição e 54% na distribuição.

O avanço é significativo, mas o contraste aparece no momento em que se observa as funções de maior prestígio criativo. Segundo o estudo, apenas 17% dos longas-metragens e séries lançados no país são dirigidos por mulheres. 

O dado evidencia um desequilíbrio estrutural: enquanto a presença feminina cresce em setores técnicos e operacionais, o acesso às posições de comando artístico permanece restrito.

Para Rafaela Rocha, editora e especialista em pós-produção, que já atuou em projetos como “Neymar – O Caos Perfeito”, “Gaming Queens” e o longa “Colegas e o Herdeiro”, esse cenário mostra que o mercado brasileiro está evoluindo, mas ainda enfrenta barreiras históricas.

“Os números mostram que estamos ocupando mais espaços, mas não nas funções onde a narrativa realmente é definida. É incoerente termos tanta participação na operação e tão pouca na direção. Falta acesso real às decisões criativas”, afirma Rafaela Rocha.

Ela destaca que, além de representatividade, a presença feminina influencia diretamente a eficiência da produção.

“Mulheres trazem uma visão integrada. Quando lideramos equipes, há mais organização, melhor fluxo de comunicação e menos retrabalho. Isso impacta prazos, orçamento e qualidade final”, explica.

Outro ponto relevante é a diversidade narrativa. A ampliação da presença feminina no audiovisual tem contribuído para que novos temas e perspectivas cheguem ao público, enriquecendo o repertório cultural do país.

“Quando mulheres participam da construção de histórias, a variedade de temas aumenta. Personagens femininas ganham mais profundidade e situações antes invisibilizadas passam a ser retratadas com autenticidade”, observa Rafaela.

Especialistas apontam que o caminho para equilibrar o setor passa por políticas mais assertivas dentro das produtoras, ampliação de editais específicos, programas de formação e mecanismos que estimulem mulheres a ocupar funções criativas de maior responsabilidade. 

A atualização do OCA pela Ancine reforça a importância de dados públicos para orientar decisões e identificar gargalos.

Mesmo com desafios, o avanço registrado no Anuário mostra um setor em transformação. Com participação ampla em funções técnicas, administrativas e de gestão, as mulheres já são parte indispensável da construção do audiovisual brasileiro contemporâneo. 

O próximo passo é garantir que essa presença se reflita também na autoria e na direção das obras.

“Temos capacidade técnica e visão criativa. O mercado só precisa abrir as portas certas. O público ganha quando mais mulheres escrevem, dirigem e lideram projetos”, conclui Rafaela Rocha.

Com mais mulheres nos bastidores, o audiovisual brasileiro se torna mais plural, competitivo e alinhado às demandas contemporâneas de diversidade e representatividade.

Rafaela Rocha representa uma geração de profissionais que ajudou a elevar o padrão da pós-produção no Brasil, combinando repertório em projetos de grande visibilidade com uma leitura estratégica do setor. 

Ao trazer para o debate a diferença entre “estar presente” e “decidir os rumos criativos”, ela reforça que a evolução do audiovisual não é só uma questão de números, mas de acesso real às posições onde as histórias são definidas — e onde a indústria ganha em qualidade, eficiência e diversidade quando mais mulheres lideram.

Fonte das informações: Ancine

Marcia Bernardes
Marcia Bernardeshttps://ftnews.com.br
Jornalista, 20 anos de experiência, tendo passado por diversas redações de mídia impressa em Catanduva e São José do Rio Preto. Atuou nos principais veículos do Noroeste Paulista, incluindo o jornal Diário da Região. Jornalista de formação, designer por amor.
ARTIGOS RELACIONADOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

- Advertisment -spot_img

POSTS POPULARES