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Frio e dores no corpo: entenda por que o desconforto muscular e articular pode aumentar no inverno

Com a chegada do inverno, muitas pessoas relatam o aumento de dores musculares, articulares e até mesmo uma sensação constante de rigidez no corpo. Embora o frio não seja necessariamente a causa direta dessas dores, ele pode contribuir para o agravamento de sintomas já existentes e desencadear desconfortos em pessoas de diferentes faixas etárias.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), é comum que pacientes com doenças reumáticas, como artrite e artrose, relatem piora dos sintomas durante períodos de temperaturas mais baixas. Estudos internacionais também apontam que mudanças climáticas, especialmente quedas de temperatura e aumento da umidade do ar, podem influenciar a percepção da dor em pessoas com condições musculoesqueléticas crônicas.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1,71 bilhão de pessoas convivem com condições musculoesqueléticas no mundo, sendo a dor lombar uma das principais causas de incapacidade. No Brasil, um levantamento do Ministério da Saúde mostra que as doenças crônicas relacionadas ao sistema musculoesquelético estão entre as principais responsáveis por limitações funcionais e afastamentos do trabalho.

A coordenadora do curso de Fisioterapia da Wyden, Alice Lisboa, explica que a relação entre frio e dor está ligada a diversas respostas fisiológicas do organismo. “Durante o inverno, o corpo tende a preservar calor para manter a temperatura interna estável. Para isso, ocorre uma vasoconstrição periférica, ou seja, os vasos sanguíneos se contraem, reduzindo o fluxo sanguíneo para músculos e articulações. Essa diminuição da circulação pode aumentar a sensação de rigidez, reduzir a flexibilidade muscular e favorecer o aparecimento ou agravamento de dores”, explica.

Além da questão circulatória, a especialista destaca que o comportamento das pessoas durante os meses frios também influencia diretamente o problema. “No inverno, muitas pessoas reduzem a prática de atividades físicas, permanecem mais tempo sentadas ou em posições inadequadas e acabam se movimentando menos ao longo do dia. Esse sedentarismo temporário contribui para o enfraquecimento muscular e para o aumento das tensões corporais, favorecendo o surgimento de dores e desconfortos”, afirma Alice.

Outro fator importante é a contração involuntária da musculatura diante das baixas temperaturas. O corpo tende a permanecer mais encolhido para conservar calor, o que aumenta a tensão em regiões como pescoço, ombros e coluna.

Para amenizar os desconfortos, os especialistas recomendam manter hábitos saudáveis mesmo durante os dias frios. A prática regular de exercícios físicos continua sendo uma das principais estratégias para preservar a mobilidade e fortalecer músculos e articulações. “Movimentar-se regularmente ajuda a melhorar a circulação sanguínea, aumenta a lubrificação das articulações e contribui para a manutenção da flexibilidade muscular. Não é necessário realizar atividades intensas, Caminhadas, alongamentos e exercícios orientados já trazem benefícios significativos”, orienta a coordenadora.

Outras medidas simples também podem ajudar a reduzir as dores durante o inverno. Manter o corpo aquecido, especialmente as extremidades, utilizar bolsas térmicas em áreas doloridas quando indicado por profissionais de saúde, investir em alongamentos diários e manter uma boa hidratação são atitudes que favorecem o funcionamento adequado dos músculos e das articulações.

Alice Lisboa ressalta ainda a importância de procurar avaliação profissional caso as dores sejam persistentes ou limitem as atividades diárias. “A dor não deve ser encarada como algo normal apenas porque está frio. Quando os sintomas se tornam frequentes, intensos ou começam a interferir na qualidade de vida, é fundamental buscar orientação médica e fisioterapêutica para identificar as causas e iniciar o tratamento mais adequado”, conclui.

Mariana Lachi
Mariana Lachi
Mariana Lachi - Jornalista com formação em Comunicação Social e Pedagoga. Experiência em um pouquinho de tudo: TV, rádio, revista, assessoria de imprensa e jornal impresso. Atua há mais de 20 anos com mídia.
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