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Pós-Doutor em História dos povos indígenas ministra palestra sobre “Direito Antidriscriminatório” na UNIFIPA

No último dia 1º de junho, o Centro Universitário Padre Albino/Unifipa promoveu palestra no Campus São Francisco sobre “Direito Antidiscriminatório”, ministrada pelo pós-doutor em História dos povos indígenas Dr. Álvaro de Azevedo Gonzaga.

Alunos do curso de Direito, egressos e todos aqueles que visam defender direitos humanos tiveram a oportunidade de aprofundar seus conhecimentos sobre o assunto. O objetivo do encontro foi construir uma dimensão antidiscriminatória. Enfatizando o assunto, Dr. Álvaro exibiu vários videoclipes de artistas famosos, como Emicida e Elza Soares em músicas que passam mensagem antidiscriminatória, mencionou também uma frase clássica de Ângela Davis – ”Não basta não ser racista, é preciso ser antirracista”.

Dr. Álvaro de Azevedo Gonzaga esteve no Campus São Francisco, no dia 1º de junho

Em um dos pontos altos da apresentação, Dr. Álvaro falou sobre paradoxos. “Quero fazer uma problematização para vocês e saudar determinados paradoxos que vivemos hoje no Brasil. Quero saudar a todos, inclusive aqueles que dizem que é o país da impunidade, mas não observam que nosso país tem uma das maiores populações carcerárias do mundo. Quero saudar aos mais de 90% que consideram um absurdo a corrupção e aos mais de 70% que praticariam tais atos se tivessem condições; aos mais de 98% que não acreditam no racismo no Brasil, mas que reconhecem 97% como racista; aos que acreditam que o Direito é instrumento de vingança e não de justiça; aos que entram na faculdade de justiça e sai da faculdade de Direito; aos que são cada vez mais oprimidos e dizem que a melhor maneira de resolver as coisas é oprimindo os outros; aos que acreditam que crime é traficar drogas mas não sonegar impostos; aos homofóbicos, que muitas vezes sublimam-se do sentires no ciclo da violência; as mulheres vítimas da violência doméstica, no país do patriarcalismo, aos paradoxais que acreditam que basta publicar no “Facebook” mas não curtem nem compartilham essas experiências na rua, faculdade ou em casa; aqueles que vivem no Brasil, 13ª economia do mundo e 89ª em desenvolvimento humano; aos que comparam o Brasil com a Europa, mas não querem que o Brasil adote as medidas sociais europeias; aos que comparam o Brasil com os Estados Unidos, mas querem manter a saúde gratuita; aos que defendem a pena de morte em um país que condena a pena de vida, muitos excluídos; saúdo aos que acham que o Brasil tem um judiciário que não anda quando perdemos apenas para Dinamarca e a Suíça quanto ao número médio de sentença por juiz; aos empregadores que flexibilizaram as leis trabalhistas e recuperaram seus escravos de outrora; ao jovem negro que entre 16 a 28 anos têm cinco vezes mais chance de ser morto ou preso do que os brancos que clamam pela “pena de morte” e redução da maioridade da pena que jamais lhe afetará; aos que acreditam em um direito universal enquanto as suas culturas não admitem ter as suas culturas impostas por pressupostos universais; saúdo aos que são consumidos pelo consumismo, ao pobre de direita, ao rico de esquerda, ao produtor que acredita na elite, ao elitista que produz falsos sonhos com planos de marketing perfeito; ao defensor da escola sem partido que aprendeu que em 64 foi uma revolução e querem que seus filhos acreditem na terra plana; aos brasileiros residentes no país da deseducação; quero saudar a todos seres humanos que aqui estão sempre revestidos de objetivos implícitos, porém externados no cotidiano”, finalizou.

Neto de indígena, o palestrante informou que vem buscando sua ancestralidade e dimensão indígena, reconhecendo sua aldeia, seus parentes e sua etnia.

O evento foi organizado pelo coordenador do curso, Prof. Dr. Luís Antônio Rossi e pela idealizadora do encontro, Profa. Me. Ivana Mussi Gabriel, e contou com a participação da pró-reitora Acadêmica da Unifipa, Profa. Dra. Silene Fontana. Os participantes também tiveram a oportunidade de conhecer a 2ª edição do livro “Decolonialismo Indígena”, do Dr. Álvaro, que tem prefácio do ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, e que acaba de ser traduzido para o inglês e publicado em diversos países do mundo. Ao final, Dr. Álvaro autografou livros adquiridos pelos participantes e disse que se sente em casa quando está na Unifipa.

Sobre o palestrante Dr. Álvaro de Azevedo Gonzaga é pós-doutor em História dos povos indígenas pela UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados); livre-docente em Filosofia do Direito pela PUC-SP, pós-doutor em História das Ideias Jurídicas pela Faculdade de Direito a Universidade Clássica de Lisboa, pós-doutor em Democracia e Direitos Humanos – Direito Política, História e Comunicação pela Universidade de Coimbra, doutor, mestre e graduado e Direito pela PUC-SP, graduado em Filosofia pela USP, professor de graduação e do Programa de Estudos Pós-Graduados e Direito (PPGD) da PUC-SP, tanto no mestrado quanto no doutorado.

Fonte: FPA

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