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Exposição na Alesp celebra 140 anos da Comissão Geográfica e Geológica de São Paulo

Painéis com curadoria da APqC reforçam o papel de Alberto Löfgren, pioneiro do conservacionismo no Brasil

A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) recebe, entre 18 e 28 de agosto, a exposição “Legado de Alberto Löfgren – 150 anos: caminhos da conservação e da pesquisa ambiental no Estado de São Paulo”, realizada por iniciativa do deputado estadual Maurici (PT-SP). Com curadoria da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), a mostra celebra os 140 anos da Comissão Geográfica e Geológica de São Paulo e reúne, em 20 painéis, documentos históricos, fotografias, mapas, ilustrações e registros que retratam a evolução da pesquisa ambiental paulista, desde a criação da instituição até os desafios contemporâneos da conservação da biodiversidade.

A exposição reconstrói a trajetória de Johan Albert Constantin Löfgren, naturalizado brasileiro o popularmente chamado de Alberto Löfgren, pioneiro do conservacionismo no Brasil e idealizador do Serviço Florestal paulista, além de evidenciar a contribuição das instituições públicas de pesquisa para a proteção do patrimônio ambiental do Estado.

“Esta exposição chega em um momento particularmente importante, em que o Estado de São Paulo vive um período de enfraquecimento das políticas ambientais e de desvalorização da pesquisa científica. Trazer esse debate para a Assembleia Legislativa é reafirmar que a proteção do patrimônio natural depende da ciência, das instituições públicas e da memória de homens e mulheres que construíram esse legado”, afirma Maurici, deputado estadual.

A exposição apresenta um percurso histórico iniciado em 1886, quando Alberto Löfgren passou a integrar a Comissão Geográfica e Geológica da Província de São Paulo como auxiliar botânico do naturalista Orville Derby. Seus levantamentos sobre a flora paulista e sua visão pioneira sobre a conservação dos recursos naturais culminaram, em 1896, na criação do Horto Botânico da Serra da Cantareira, considerado o marco inicial do Serviço Florestal paulista, responsável por estruturar a política de conservação das florestas no Estado.

“Esses painéis retratam uma história na qual São Paulo figurava como pioneiro na construção de uma política ambiental baseada em ciência, muito antes de a conservação da biodiversidade ocupar a agenda mundial. Por isso, considero inaceitável que, justamente quando a crise climática exige instituições mais fortes, estejamos assistindo ao desmonte de um sistema que levou mais de um século para ser construído”, afirma Helena Dutra Lutgens, presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC).

A exposição lembra que muitas das ideias defendidas por Löfgren permanecem atuais. Ainda no início do século XX, ele já alertava para a necessidade de proteger os mananciais, recuperar áreas degradadas, criar reservas florestais e promover educação ambiental. Em 1902, organizou, no interior de São Paulo, a Primeira Festa das Árvores, uma das primeiras iniciativas de educação ambiental do Brasil, defendendo que o reflorestamento deveria caminhar ao lado da preservação das florestas nativas como estratégia para conter o desmatamento.

A exposição também resgata a evolução da política florestal paulista. Entre as décadas de 1930 e 1940, o Serviço Florestal ampliou sua atuação, implantando o Código Florestal de 1934 no Estado. Criou reservas florestais que mais tarde foram transformadas em parques e implantou, em 1941, o primeiro parque estadual paulista, em Campos do Jordão, no Vale do Paraíba.

Nas décadas seguintes, surgem novas unidades de conservação, como os parques estaduais Ilha do Cardoso (1962), da Cantareira (1968), Jacupiranga (1969) e Serra do Mar (1977), além de estações ecológicas que passaram a proteger cerca de um milhão de hectares de ecossistemas paulistas a partir da década de 1980. Foi também neste intervalo, em 1970, que o Serviço Florestal foi transformado em Instituto Florestal, consolidando definitivamente a pesquisa científica como base da conservação ambiental em São Paulo.

Na parte final da mostra, os visitantes encontram um contraponto entre esse legado histórico e os desafios atuais enfrentados pela pesquisa ambiental paulista. Os painéis apresentam a criação do Sistema Estadual de Florestas (SIEFLOR), em 2006, que transferiu a gestão das unidades de conservação para a Fundação Florestal, a extinção dos Institutos Florestal, de Botânica e Geológico em 2020, a redução do quadro de pesquisadores e servidores e o avanço das concessões de parques estaduais à iniciativa privada, apontando esses processos como fatores que enfraqueceram a estrutura científica construída ao longo de mais de um século.

“Ao revisitar a trajetória de Alberto Löfgren, mostramos que a conservação ambiental em São Paulo nunca foi fruto do acaso. Ela foi construída por pesquisadores, instituições científicas e políticas públicas baseadas em conhecimento”, reforça a presidente da APqC.

Serviço
Exposição: 140 anos da Comissão Geográfica e Geológica de São Paulo – “Legado de Alberto Löfgren – 150 anos: caminhos da conservação e da pesquisa ambiental no Estado de São Paulo”
Data: De 18 a 28 de agosto
Local: Alesp – Espaço dos Heróis de 1932 (Entrada Ibirapuera)

Sobre a APqC

Fundada em 1977, a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) representa servidores de 16 Institutos Públicos de Pesquisa do Estado, nas áreas de Meio Ambiente, Agricultura e Saúde. Além de incentivar o desenvolvimento da ciência, como instrumento de transformação socioambiental do Estado de São Paulo, a entidade tem como missão estabelecida em seu estatuto a defesa dos institutos e da carreira de pesquisador científico, criada em 1975, além do patrimônio público ligado à pesquisa, incluindo prédios históricos e fazendas experimentais. A entidade defende a recriação dos Institutos Florestal, de Botânica, Geológico e da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), extintos em 2020*. 

Os pesquisadores representados pela APqC atuam nos institutos: 

Meio Ambiente: Instituto Florestal*, Instituto de Botânica*, Instituto Geológico* (integram a Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística).

Agricultura: APTA Regional, Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Instituto Biológico, Instituto de Economia Agrícola (IEA), Instituto de Pesca, Instituto de Tecnologia de Alimentos, Instituto de Zootecnia (integram a Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento). 

Saúde: Instituto Adolfo Lutz, Instituto Butantan, Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, Instituto Lauro de Souza Lima, Instituto Pasteur, Instituto de Saúde, SUCEN*, Laboratório de Investigação Médica-LIM/ HC-USP (integram a Secretaria de Estado da Saúde).

Mais informações:

apqc.org.br

Marcia Bernardes
Marcia Bernardeshttps://ftnews.com.br
Jornalista, 20 anos de experiência, tendo passado por diversas redações de mídia impressa em Catanduva e São José do Rio Preto. Atuou nos principais veículos do Noroeste Paulista, incluindo o jornal Diário da Região. Jornalista de formação, designer por amor.
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