Esquecer onde deixou as chaves, entrar em cômodo e não lembrar imediatamente o que iria fazer ou demorar alguns segundos para recordar o nome de alguém são situações comuns no dia a dia. Esses lapsos ocasionais, quando não interferem na rotina, não significam necessariamente que exista um problema. Mas, além de observar quando o esquecimento passa a exigir atenção, também é importante entender que alguns hábitos e condições do dia a dia podem prejudicar o funcionamento cerebral, afetando a concentração, o armazenamento de informações e a capacidade de recordar acontecimentos.
De acordo com especialista em doenças neuromusculares e eletroneuromiografia, docente da UNIFIPA, Dra. Laura Alonso Matheus Montouro, diversos fatores podem interferir na capacidade de memorizar. “A qualidade do sono, alterações no humor, ansiedade, depressão e problemas de atenção podem dificultar a concentração e, consequentemente, a capacidade de registrar novas informações. Sobre ao sono, pesquisas vêm ampliando o conhecimento sobre a relação com doenças que comprometem a memória, como a doença de Alzheimer. Entre as substâncias estudadas nesse processo está a proteína beta-amiloide, que participa das alterações cerebrais características da condição associada ao declínio cognitivo. Por isso, manter rotina de sono adequada é uma das medidas que contribuem para a saúde cerebral”, reforça.
Outro fator que pode interferir no funcionamento cognitivo é o uso inadequado de telas, especialmente quando ele substitui atividades importantes para o desenvolvimento e para a manutenção das funções cerebrais. A neurologista explica que estudos já relacionaram o excesso de exposição às telas, principalmente entre crianças, a prejuízos em aspectos como atenção, desempenho e funções executivas. Isso não significa, porém, que a tecnologia precise ser eliminada da rotina. “O ponto central é fazer uso consciente. Recursos digitais podem ter finalidade educativa, profissional e de comunicação, mas o uso excessivo e sem controle, especialmente de conteúdos de consumo rápido, pode ocupar o espaço de atividades importantes para o cérebro, como interação social, atividade física, leitura, aprendizado e descanso”, lembra.
Para melhorar e fortalecer a saúde cognitiva, Dra. Laura enfatiza que a atividade física pode trazer benefícios mesmo quando iniciada mais tarde. Portanto, quem não teve o hábito de se exercitar na juventude também pode começar depois dos 60 anos e obter benefícios para a saúde. A alimentação segue a mesma lógica: padrão alimentar que contribui para a prevenção de doenças cardiovasculares também favorece a saúde cerebral. Já a perda de audição, o isolamento social e a redução da participação em atividades coletivas vêm sendo cada vez mais estudados como fatores relacionados ao risco de declínio cognitivo e demência. A profissional também ressalta que mudanças persistentes ou que começam a interferir na rotina merecem atenção e não devem ser ignoradas. Nesses casos, a avaliação médica é fundamental para identificar a causa das alterações e definir os cuidados mais adequados para cada situação.




